Diegues, de Carlos a Cacá (1955-1963)
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n1.1287Palavras-chave:
Carlos Diegues, Cacá Diegues, Cinema Novo, Classe médiaResumo
Este artigo apresenta um mapeamento contextualizado da produção escrita do cineasta brasileiro Carlos Diegues entre 1955 e 1963. Mais especificamente, trata-se de estudar a singularidade de sua atuação no momento de formação do Cinema Novo brasileiro, na passagem para os anos 1960. Para tanto, a análise parte da leitura seriada de todas as publicações encontradas de Diegues ao longo desses anos, em periódicos como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, O Metropolitano e as revistas Arquitetura e Movimento. De um modo geral, a análise de diferentes aspectos dessas publicações – gênero, forma, tema, localização etc. – tem em vista a análise do lugar social específico de Diegues no campo cinematográfico carioca e, mais que isso, a recomposição do conceito de Cinema Novo como espaço de encontro e de disputa de diferentes frações da classe média. Pretende-se, dessa forma, colocar em diálogo o conhecimento sobre o cinema brasileiro dessa época e a dinâmica social mais ampla da República Liberal (1945-64). Com efeito, a atuação de Diegues na imprensa carioca manifesta os ambíguos predicados sociais associados à precocidade, que permitem reconstituir algumas mediações históricas relevantes à compreensão da formação do cinema brasileiro moderno.
Downloads
Referências
A AVENTURA. Direção: Michelangelo Antonioni. Itália; França, 1960. 145 min., sonoro, preto e branco.
ADAMATTI, Margarida. Crítica de cinema e repressão: estética e política no jornal alternativo Opinião. São Paulo: Alameda, 2019.
A FUGA. Direção: Carlos Diegues e David Neves. Brasil, 1959. n.p., sonoro, preto e branco.
A ILHA. Direção: Walter Hugo Khouri. Brasil, 1962. 113 min., sonoro, preto e branco.
AMOR, sublime amor. Direção: Jerome Robins e Robert Wise. Estados Unidos, 1961. 152 min., sonoro, colorido.
ARAÚJO, Luciana de. Joaquim Pedro de Andrade: primeiros tempos. São Paulo: Alameda, 2013.
ARRAIAL do Cabo. Direção: Mário Carneiro e Paulo Cezar Saraceni. Brasil, 1959. 17 min., sonoro, preto e branco.
AS LIGAÇÕES perigosas. Direção: Roger Vadim. França, 1959. 05 min, sonoro, preto e branco.
ASSALTO ao trem pagador. Direção: Roberto Farias. Brasil, 1962. 98 min., sonoro, preto e branco.
BARRAVENTO. Direção: Glauber Rocha. Brasil, 1961. 80 min., sonoro, preto e branco.
BARBEDO, Mariana. Carlos Diegues, entre o CPC e o Cinema Novo: uma reflexão sobre a função do artista no início da década de 1960, Tempos históricos, [S.l.], v. 15, n. 1, p. 170-190, 2011. DOI: 10.36449/rth.v15i1.5698. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/temposhistoricos/article/view/5698. Acesso em: 18 fev. 2026.
BERNARDET, Jean-Claude. Brasil em tempo de cinema: ensaio sobre o cinema brasileiro de 1958 a 1966. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
BORGES, Miguel; ROCHA, Glauber. Os jovens fazem… cinema, Diário de Notícias, [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 5, 17 de março de 1962.
BOURDIEU, Pierre. A distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre: Zouk, 2007.
BRUM, Alessandra. A Nouvelle Vague sob o ponto de vista do jornal O Metropolitano, Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 26, n. 51, p. 193-212, 2013. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/7175/9376. Acesso em: 18 fev. 2026.
CAMARGO, Aspásia. A questão agrária: crise de poder e reformas de base (1930-1964) In. FAUSTO, Boris (org.). História geral da civilização brasileira. III. O Brasil Republicano. 3. Sociedade e política (1930-1964). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 121-224.
CAMINHOS. Direção: Paulo Cezar Saraceni, Brasil, 1959. n.p., sonoro, preto e branco.
CARA de fogo. Direção: Galileu Garcia. Brasil, 1958. 86 min., sonoro, preto e branco.
CARDENUTO, Reinaldo. Discursos de intervenção: o cinema de propaganda ideológica para o CPC e o Ipês às vésperas do Golpe de 1964. Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.
CARDENUTO, Reinaldo. Cinema Novo em disputa: páginas da imprensa carioca em 1962, ArtCultura, Uberlândia, v. 24, n. 44, p. 183-203, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.14393/artc-v24-n44-2022-66587. Acesso em: 18 fev. 2026.
DIEGUES, Carlos. O moleque Joaquim, Jornal de Alagoas, Maceió, n.p., 27 de novembro de 1955.
DIEGUES, Carlos. A casa, o caminho e o homem, Diário de Notícias [Suplemento Literário], Rio de Janeiro, p. 8, 7 de julho de 1957a.
DIEGUES, Carlos. O poeta novo, Jornal do Brasil [Suplemento Dominical], Rio de Janeiro, p. 5, 24 de novembro de 1957b.
DIEGUES, Carlos. Poesia em dia, Jornal do Brasil [Suplemento Dominical], Rio de Janeiro, p. 7, 13 de julho de 1958.
DIEGUES, Carlos. Exposição neoconcreta e não-objeto, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 4, 4 de dezembro de 1960.
DIEGUES, Carlos; NEVES, David. Roteiro para uma história do cinema, Diário de Notícias [O Metropolitano], p. 5, 12 de junho de 1960.
DIEGUES, Carlos. Universidade americana: crise em estrutura modelo, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 6, 5 de março de 1961a.
DIEGUES, Carlos. Domingo é filme novo feito por gente jovem, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 2, 30 de julho de 1961b.
DIEGUES, Carlos. Cultura em Cuba, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 4, 19 de agosto de 1961.
DIEGUES, Carlos. O cinema do Arraial do Cabo, Revista Guanabara, Rio de Janeiro, n. 2, p. 28-29, outubro de 1961d.
DIEGUES, Carlos. Domingo, uma experiência animadora, Unidade, Rio de Janeiro, p. 28-29, novembro de 1961e.
DIEGUES, Carlos. Drama e imagem no Potemkin, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 5, 23 de dezembro de 1961f.
DIEGUES, Carlos. Cinema Novo, Movimento, Rio de Janeiro, n. 2, p. 8-12, maio de 1962a.
DIEGUES, Carlos. Uma aventura no vazio, O Estado de S. Paulo [Suplemento Literário], São Paulo, p. 5, 26 de maio de 1962b.
DIEGUES, Carlos. Barravento: mudança violenta no mar, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 4, 26 de maio de 1962c.
DIEGUES, Carlos. Ligações (muito) perigosas, Movimento, Rio de Janeiro, n. 5, p. 17, setembro de 1962d.
DIEGUES, Carlos. Um novo cinema em questão, O Metropolitano, Rio de Janeiro, p. 5, 5 de setembro de 1962e.
DIEGUES, Carlos. Cinema, O Metropolitano, Rio de Janeiro, p. 7, 10 de outubro de 1962f.
DIEGUES, Carlos. Cinema, O Metropolitano, Rio de Janeiro, p. 7, 17 de outubro de 1962g.
DIEGUES, Carlos. Trecho de carta a Mário Chamie, Praxis: revista de instauração crítica, São Paulo, n. 1, p. 93-94, 1962h.
DIEGUES, Carlos. Cinco vezes favela - CN 62, Movimento, Rio de Janeiro, n. 8, p. 25-26, fevereiro de 1963a.
DIEGUES, Carlos. Cinema, Revista Arquitetura, n. 9, Rio de Janeiro, p. 28, março de 1963b.
DIEGUES, Carlos. Cinema, Revista Arquitetura, n. 12, Rio de Janeiro, p. 29, junho de 1963c.
DIEGUES, Carlos. Cinema, Revista Arquitetura, n. 17, Rio de Janeiro, p. 18-19, novembro de 1963d.
DIEGUES, Carlos. Cinema brasileiro: ideias e imagens. Porto Alegre: Editora da Universidade; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; MEC, 1988.
DIEGUES, Carlos. O que é ser um diretor de cinema. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.
DIEGUES, Carlos. Vida de cinema: antes, durante e depois do cinema novo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.
DIEGUES, Carlos. et al. Cinema Novo em discussão, Movimento, Rio de Janeiro, n. 7, p. 4-8, novembro de 1962.
DIEGUES, Carlos; GUERRA, Ruy; ROCHA, Glauber. Os oito pecados capitais, O Metropolitano, Rio de Janeiro, p. 6, 12 de setembro de 1962.
DIEGUES, Carlos; NEVES, David. Roteiro para a história do cinema, Diário de Notícias [O Metropolitano], Rio de Janeiro, p. 5, 12-13 de junho de 1960.
DOMINGO. Direção: Carlos Diegues. Brasil, 1961. 30 min., sonoro, preto e branco.
ESCOLA de Samba Alegria de Viver (Cinco vezes favela). Direção: Carlos Diegues. Brasil, 1962. 21 min., sonoro, preto e branco.
EVOLA, Lorenzo. Um poema, uma bandeira: gênese e estrutura de Cultura posta em questão, de Ferreira Gullar. Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2021.
FAUSTINO, Mário. Poesia em dia, Jornal do Brasil [Suplemento Dominical], Rio de Janeiro, p. 7, 13 de julho de 1958.
FERREIRA, Jorge; GOMES, Ângela de Castro. Brasil, 1945-1964: uma democracia representativa em consolidação, Locus: Revista de História, n. 52, Juiz de Fora, p. 252-275, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.34019/2594-8296.2018.v24.20880. Acesso em: 18 fev. 2026.
GANGA Zumba. Direção: Carlos Diegues. Brasil, 1964. 120 min., sonoro, preto e branco.
GARCIA, Miliandre. Cinema Novo: a cultura popular revisitada, História: questões & debates, Curitiba, n. 38, p. 133-159, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.5380/his.v38i0.2717. Acesso em: 18 fev. 2026.
GUIMARÃES, Antonio. A República de 1889: utopia de branco, medo de preto (a liberdade é negra; a igualdade, branca e a fraternidade, mestiça) Contemporânea - Revista de Sociologia da UFSCar, São Carlos, v. 1, n. 2, p. 17-36, 2011. Disponível em: https://www.contemporanea.ufscar.br/index.php/contemporanea/article/view/34. Acesso em: 18 fev. 2026.
LAWRENCE da Arábia. Direção: David Lean. Reino Unido; Estados Unidos, 1962. 227 min., sonoro, colorido.
LEAL, Claudio. O diálogo crítico de Walter da Silveira e Glauber Rocha. Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.
LORENZO, Ricardo de. Os agentes do Cinema Novo e seus “antagonistas”: ensaio prosopográfico In. HEINZ, Flavio (org.). História social de elites. São Leopoldo: Oikos, 2011, p. 114-133.
MARTINS, Carlos Estevam. Anteprojeto do Manifesto do Centro Popular de Cultura In. TEIXEIRA, Heloisa. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde: 1960/70. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2004, p. 135-168.
MELLO, João Cardoso de; NOVAIS Fernando. Capitalismo tardio e sociabilidade moderna In. NOVAIS Fernando; SCHWARCZ, Lilia (orgs.). História da vida privada no Brasil 4: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 559-658.
MENDES, Adilson. Trajetória de Paulo Emílio. Cotia: Ateliê Editorial, 2013.
MOTTA, Rodrigo Patto Sá. As universidades e o Regime Militar: cultura política brasileira e modernização autoritária. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
O DRAGÃO da Maldade contra o Santo Guerreiro. Direção: Glauber Rocha. Brasil, 1969. 95 min., sonoro, colorido.
OS HERDEIROS. Direção: Carlos Diegues. Brasil, 1969. 95 min., sonoro, colorido.
OS SETE pecados capitais. Direção: Claude Chabrol, Édouard Molinaro, Jacques Demy, Jean-Luc Godard, Max Douy, Philippe de Broca, Roger Vadim e Sylvain Dhomme. França; Itália, 1962. 113 min., sonoro, preto e branco.
PÁTIO. Direção: Glauber Rocha. Brasil, 1959. 12min., sonoro, preto e branco.
PEREIRA, Miguel. O Cinema Novo na Revista Civilização Brasileira. Tese (Doutorado). Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001.
P.M. Direção: Orlando Giménez Leal e Alberto Cabrera Infante. Cuba, 1961. 13 min., sonoro, preto e branco.
RIDENTI, Marcelo. Intelectuais e artistas brasileiros nos anos 1960/70: “entre a pena e o fuzil”, ArtCultura, Uberlândia, v. 9, n. 14, p. 185-195, 2007. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/8424974.pdf. Acesso em: 18 fev. 2026.
ROCHA, Glauber. Revolução do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Alhambra; Embrafilme, 1981.
ROCHA, Glauber. Revisão crítica do cinema brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
ROCHA, Glauber. Crítica esparsa (1957-1965). Belo Horizonte: Fundação Clóvis Salgado, 2019.
SAES, Décio. Classe média e política no Brasil (1930-1964) In. FAUSTO, Boris (org.). História geral da civilização brasileira. III. O Brasil Republicano. 3. Sociedade e política (1930-1964). Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 447-506.
SARACENI, Paulo Cezar. Por dentro do Cinema Novo: minha viagem. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
VIANY, Alex. O processo do Cinema Novo. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1999.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Victor Santos Vigneron

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.








