O fascismo atrás da porta
Uma leitura de Violência e Paixão, de Luchino Visconti
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n1.1227Palavras-chave:
Luchino Visconti, Violência e Paixão, Fascismo, Política e éticaResumo
Há 50 anos, em dezembro de 1974, era lançado Violência e Paixão, o penúltimo filme do diretor italiano Luchino Visconti, o “conde vermelho” que reunia, num mesmo personagem, o militante antifascista e o aristocrata culto e desconcertante. Afora o exercício de interpretação sobre o enredo e os personagens do filme, o presente artigo busca analisar o longa-metragem em perspectiva contemporânea, uma vez que é uma obra que interage com diferentes tempos históricos, em particular na denúncia que faz sobre o renascimento do fascismo na Itália dos anos 1970, tomado aqui como referência para discutir a revivescência do extremismo de direita nos dias de hoje. Assim, em que pese a história ter como pano de fundo o terrorismo negro e vermelho que sacudia a Itália nas décadas de 1970 e 1980 do século passado, o filme aborda temas que encontram eco no cenário político da atualidade: a violência, o medo, os conflitos geracionais, a necessidade de ação e de engajamento, o equilíbrio entre política e ética, os compromissos perdidos. Temas que atravessam gerações e que são vividos tanto em âmbito privado quanto público pelos personagens do filme. Nesse contexto, faz-se aqui uma interpretação que aproveita, em grande medida, declarações do próprio Visconti – em particular a entrevista concedida a Maria-Antonieta Macchiocchi, escritora e jornalista italiana que conviveu com Visconti na luta antifascista nos anos 1930-40, e que foi reproduzida, no Brasil, pelo extinto jornal Opinião em 1976.
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