Horror, fantasma e autoria negra feminina

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n2.1488

Mots-clés :

Fantasma, Horror, Mulher Negra, Racialidade

Résumé

O presente artigo propõe uma abordagem social e estética para as relações entre cinema de horror e racialidade, a partir de um recorte em diretoras negras. Para tanto, elenca a noção de fantasma como conceito operatório capaz de fornecer leituras em dois eixos: 1. o processo de invisibilização de mulheres negras na autoria de filmes do gênero horror; 2. as poéticas de diretoras negras na figuração de fantasmas na forma fílmica. A pesquisa formula o conceito de fantasma enquanto fenômeno social, tomando as pistas abertas por Avery Gordon (2008). Isso implica perceber que a violência do apagamento tem consequências em processos de [re]torno daquilo que se tentou silenciar e invisibilizar. Em nosso percurso, caminhamos com as seguintes perguntas mobilizadoras: como se dá a presença de realizadoras negras na construção cinematográfica contemporânea a partir de uma existência fantasmagórica até então? Como pensar o fantasmagórico na sua capacidade de diagnosticar sintomas históricos na formação social? Este artigo é parte de um esforço em dar contornos complexificadores ao conceito de fantasma, permitindo-nos, ao final, testar alguns comentários analíticos a dois filmes que nos instigam mais de perto no cenário contemporâneo, a saber: o longa-metragem Atlantique (2019), de Mati Diop, e o curta Pattaki (2019), de Everlane Moraes.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Bibliographies de l'auteur

Priscila Andrade, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutoranda em Comunicação no Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal de Minas Gerais.

Érico Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (Brasil) e em Estudos cinematográficos e audiovisuais pela Université Sorbonne Nouvelle Paris 3 (França). Professor no Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais.

Références

AMORES divididos. Direção: Kasi Lemmon. Estados Unidos, 1997. 108min, sonoro, colorido.

ANDRIOPOULOS, Stefan. Aparições espectrais: o idealismo alemão, o romance gótico e a mídia óptica. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.

ATLANTIQUE. Direção: Mati Diop. Bélgica, França, Senegal, 2019. 104min, sonoro, colorido.

BENJAMIN, Walter. Passagens. Belo Horizonte: UFMG, 2018.

BÉRTOLO, José; MEDEIROS, Margarida. Os fantasmas da fotografia e do cinema [Dossiê]. Revista de Comunicação e Linguagens, n. 53, p. 15-22, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.34619/55s6-rw65. Acesso em: 04 jul. 2026.

CARROLL, Noël. A filosofia do horror ou paradoxos do coração. São Paulo: Papirus, 1999.

COLEMAN, Robin R. Means. Horror Noire: a representação negra no cinema de terror. Rio de Janeiro: Darkside Books, 2019.

COSTA, Flávia Cesarino. O primeiro cinema: espetáculo, narração, domesticação. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2005.

DELUMEAU, Jean. História do medo no ocidente: 1300-1800 uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia de Bolso, 2009.

FREITAS, Kênia; BARROS, Laan. Experiência estética, alteridade e fabulação no cinema negro. Revista Eco-Pós, v. 21, n. 3, p. 97-121, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v21i3.20262. Acesso em: 01 jun. 2026.

GORDON, Avery. Ghostly matters: haunting and the sociological imagination. Minneapolis: New University of Minnesota Press, 2008.

HARTMAN, Saidiya. Vênus em dois atos. Tradução de Fernanda Silva e Sousa e Marcelo R. S. Ribeiro. Revisão de Kênia Freitas e Liv Sovik. Revista Eco-Pós, v. 23, n. 3, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27640. Acesso em: 04 jul. 2026.

HARTMAN, Saidiya. Perder a mãe: uma jornada pela rota atlântica da escravidão. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021.

HARTMAN, Saidiya. Vidas rebeldes, belos experimentos: histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais. São Paulo: Fósforo, 2022.

HARTMAN, Saidiya. Cenas da sujeição: terror, escravidão e criação de si na América do século 19. São Paulo: Fósforo, 2025.

HELLBOUND Train. Direção: Eloyce King Patrick Gist, James Gist. Estados Unidos, 1930. 50min, silencioso, preto e branco.

O MISTÉRIO de Candyman. Direção: Bernard Rose. Estados Unidos, 1992. 99min, sonoro, colorido.

O SILÊNCIO dos Inocentes. Direção: Jonathan Demme. Estados Unidos, 1991. 119min, sonoro, colorido.

PATTAKI. Direção: Everlane Moraes. Brasil, Cuba, 2019. 21min, sonoro, colorido.

ROBERTSON, Étienne Gaspard. Mémoires récréatifs, scientifiques et anecdotiques [Tome I]. Paris: L'Imprimerie de Rignoux, 1831.

SPIRIT Lost. Direção: Neema Barnette. Estados Unidos, 1997. 90min, sonoro, colorido.

SUSPENSE. Direção: Lois Weber. Estados Unidos, 1913. 10min, silencioso, preto e branco.

THE PIT and the Pendulum. Direção: Alice Guy-Blaché. Estados Unidos, 1913. duração total desconhecida, silencioso, preto e branco.

VERDICT: Not Guilty. Direção: Eloyce King Patrick Gist, James Gist. Estados Unidos, 1933. 9min, silencioso, preto e branco.

Téléchargements

Publiée

2026-08-10

Numéro

Rubrique

Dossier