O visível em ruínas
o gesto ensaístico na reapropriação das imagens de arquivo
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n1.1288Palavras-chave:
Cinema de arquivo, Aura, Fime-ensaio, MontagemResumo
Este ensaio examina o cinema de arquivo como prática que desloca a aura das imagens — não como rastro de autenticidade, mas como força política de reativação. Dialogando com Boris Groys (1995, 2008), Georges Didi-Huberman (2015, 2021) e Walter Benjamin (1989, 1994, 2008), debruça-se sobre gestos curatoriais fílmicos que operam através da montagem anacrônica e da forma ensaística. Tais filmes não restauram o passado, mas acionam suas brechas e silêncios, revelando o arquivo como espaço de conflito entre memória e apagamento. A curadoria transforma-se, então, em ato político que rearticula o visível em constelações críticas, capazes de interpelar o presente. A montagem anacrônica rompe com linearidades históricas, expondo tensões entre temporalidades e ressignificando documentos a partir de urgências atuais. O ensaio fílmico, por outro lado, surge como método de pensamento dialético, no qual imagens pretéritas colidem com o agora, gerando novas leituras. Ao insistir na incompletude do arquivo, esses filmes recusam narrativas fechadas, convertendo-o em território de luta. Sua potência reside na reabertura de sentidos esquecidos, desestabilizando hierarquias do visível e propondo histórias alternativas. Por meio dessa prática, imagens dormentes tornam-se agentes ativos que desafiam narrativas históricas dominantes e revelam o potencial transformador da reapropriação arquivística.
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Referências
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