Eu matei Lúcio Flávio (1979) como precursor das narrativas da atual contraofensiva conservadora
DOI:
https://doi.org/10.22475/rebeca.v15n1.1211Palavras-chave:
Contraofensiva conservadora, Mariel Maryscôtt, Violência sagrada, Violência profanaResumo
Neste artigo, apresentamos uma análise de conteúdo do filme Eu matei Lúcio Flávio (1979), de Antônio Calmon, a fim de demonstrar como o universo diegético da película contém elementos simbólicos também perceptíveis nas máximas adotadas pelos expoentes da atual contraofensiva conservadora. Isto é, a atual onda conservadora mobiliza certos elementos narrativos também presentes neste filme da década de 1970. Desse modo, a obra mobiliza as convenções do cinema de policial/justiceiro norte-americano de então para estabelecer a figura do policial do Esquadrão da Morte Mariel Maryscôtt de Mattos como responsável pela garantia da lei e da ordem na cidade do Rio de Janeiro (indubitavelmente ameaçada tanto pelo crime organizado quanto pela decadência de parte de sua população) quando a ele é outorgada a permissão para utilizar da violência de caráter sagrado na guerra contra a violência de caráter profano de criminosos como Lúcio Flávio, conhecido ladrão de bancos da época. Baseando-se também em certas obras de Isabela Kalil, Letícia Cesarino e Luc Boltanski, este artigo almeja, portanto, evidenciar que as máximas da extrema-direita dos dias de hoje a precedem por algumas décadas.
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